terça-feira, 12 de junho de 2012

Chapeuzinhos coloridos

Era uma vez... uma menina que sempre usava a mesma
 capa com capuz. Por isso o apelido dela era Chapeuzinho...
azul, cor de abóbora, verde, branco, lilás ou preto!

A historia da Chapeuzinho Vermelho que você já conhece se transforma em várias outras 
neste livro. Aqui, Chapeuzinho pode ser uma menina que sonha em ser famosa, outra que é 
caçadora, ou ainda outra que adora comer (e seu prato preferido é bisteca de lobo). 
Você vai conhecer seis meninas bem diferentes e se divertir com suas histórias. 
Quem sabe você também não inventa a sua?





















Falta o final dessa parte da história






Texto em word da história clique na imagem abaixo


CHAPEUZINHO AZUL

Era uma vez, numa pequena vila perto de uma pequena floresta, uma menina de olhos cor do céu.
Todo mundo gostava dela e sua vó mais ainda, tanto que decidiu fazer uma capinha com capuz para ela. Essa roupa era de vestido azul e a menina não tirava nunca, nem quando brincava de teatrinho no quintal. Por causa disso, todo mundo da vila a chamava de Chapeuzinho Azul.

Um dia, sua mãe chamou e disse:
- Chapeuzinho, leve essa torta de amoras para a sua avó, como você sempre faz.
- Pode deixar, mamãe, eu vou levar a torta.
- E tome cuidado, ouviu? Vá direto para a casa da sua avó e não saia do caminho, porque a floresta é perigosa.

Então a menina colocou a torta de amoras na cesta, deu um beijo em sua mãe e partiu.
No caminho ela cantava:

“Pela estrada a fora,
Eu vou sozinha.
Tão desprotegida,
Ai de mim, tadinha”

Chapeuzinho entrou na floresta. A cada passo o caminho ficava mais estreito e a mata ficava mais escura. Até que, de repente, o lobo saiu de trás de uma moita e disse:
- Bom dia, menina do chapeuzinho azul. O que você leva nessa cesta?
- Uma torta de amoras.
- Para mim?
- Não, senhor. Estou levando essas coisas para a minha frágil e indefesa avó, que vive lá no meio da floresta.

Então o lobo pensou: “ Chapeuzinho Azul é bem bobinha. Vou comer sua avó, depois ela, e ainda vou pegar essa torta de amoras de sobremesa.”

Mas ele não podia devorar a menina ali, porque um caçador poderia escutar os seus gritos.

Foi quando teve uma idéia e disse:

- Está vendo aquela trilha? Por que você não vai por ali e pega um monte de flores azuis para sua avó? Aposto que ela vai gostar.
- Que boa idéia. Vou fazer isso mesmo! Ah, se todas as pessoas fossem gentis como o senhor...

Assim. Chapeuzinho pegou o outro caminho e saiu catando flores alegremente. Enquanto isso, o lobo foi pelo caminho mais curto até a casa da Vovó.

Quando o lobo chegou, bateu na porta:
- Pou, pou, pou.
- Quem é? – perguntou a velhinha lá de dentro.
- Sou eu, sua netinha – falou o lobo disfarçando a voz – Vim trazer uma torta de amoras para a senhora. Abra a porta, Vovó.

A Vovó então se levantou, pegou uma espingarda e abriu a porta.
Quando viu que era o lobo quem estava lá, nem pensou, puxou o gatinho e bang, deu um tiro no peito dele.
Depois disso, a Vovó pôs o bicho para assar no forno e deitou-se para esperar Chapeuzinho.
A menina vinha bem devagar pela mata, colhendo flores, escutando os pássaros, brincando com esquilos, bebendo água das fontes e cantando sua musica:

“Pela estrada a fora,
Eu vou sozinha.
Tão desprotegida,
Ai de mim, tadinha”

Finalmente, quando ela chegou à casa da avó, bateu na porta:
- Pou, pou, pou.
- Quem é? - perguntou a Vovó.
- Sou eu, sua netinha. Posso entrar?
- Entre, querida, eu não via a hora de você chegar.

Chapeuzinho abriu a porta e foi até perto da cama. A Vovó estava embaixo das cobertas e usava uma touca enorme, de modo que só se podia ver um pequena parte de seu rosto.
Então a menina perguntou:

- Vovó, por que você tem orelhas tão grandes?
- São para ouvir melhor os lobos.
- E esses olhos tão grandes?
- São para ver os lobos de longe.
- E essas mãos tão grandes
- São para pegar grandes pedaços de carne de lobo.
- E esse nariz tão grande?
- É para sentir o cheiro dos lobos no forno.
- E essa boca tão grande?
- É para comer carne de lobo – gritou a Vovó com alegria. E depois de dar uma grande gargalhada, ela falou: - Realmente, esse nosso plano nunca dá errado, não é, Chapeuzinho Azul?
- É verdade, Vovó. Os lobos sempre caem no nosso truque.
E ai as duas foram até o fogão, tiraram a travessa do forno e comeram o lobo de uma só vez.

Depois disso, elas foram tirar uma sonequinha. Como estavam com a barriga muito cheia, logo começaram a roncar bem alto. Tão alto que um caçador que estava andando por ali escutou aquele barulho, pensou que alguém  estivesse passando mal e resolveu dar uma olhada.

Quando abriu a porta e viu aqueles restos de comida nos pratos, o caçador ficou com muita raiva. Ele não imaginava que viria o lobo em pedaços, comido por aquelas duas.

Então ele apontou a espingarda para elas e disse:
 - Vocês estão com pressa!
- Nós? Por que, senhor caçador?
- Esse lobo é de uma espécie que esta desaparecendo da floresta. E sabe por que eles estão desaparecendo? Porque vocês andam comendo os coitados.

Ai ele pegou as algemas, prendeu as duas e as levou para a delegacia.
No dia seguinte, a mãe de Chapeuzinho foi ate a delegacia e pagou a fiança para liberar sua filha e sua mãe.
E assim, com exceção do Lobo, todos ficaram felizes para sempre:
O caçador porque ajudou a proteger uma espécie rara: o lobo.
A Vovó que saiu da cadeia.
E Chapeuzinho Azul porque aprendeu uma lição:
“Não se devem matar os animais, ainda mais se eles estiverem em extinção.”



CHAPEUZINHO COR DE ABÓBORA

Era uma vez uma menina gordinha, de grandes bochechas.
Todo mundo gostava muito da menina, e a vó dela mais ainda, tanto que fez uma capinha com capuz para ela. A roupa era cor de abóbora, bem escandalosa mesmo, e a menina usava o tempo todo. Por causa disso, as pessoas puseram um apelido nela: Chapeuzinho cor de abóbora.
Então um dia, a mãe da menina chamou-a e disse:
- Chapeuzinho, leve essa torta de abóbora com cobertura de chantili e uma cereja em cima para a sua avó, que vive lá no meio da floresta. Ela esta muito magrinha e isso vai fazê-la sentir melhor.
- Pode deixar mamãe – disse a Chapeuzinho lambendo os beiços, porque ela adorava comer.
- E tome cuidado. Não saia do caminho porque a floresta é muito perigosa – completou a mãe.

Então Chapeuzinho colocou a torta numa cesta, deu um beijo na mãe e partiu.
No caminho, ela cantava assim:

“Almocei agora.
Mas já estou com fominha.
Pena que esse doce
É para a vovozinha.”

Chapeuzinho foi indo pela estrada até que , de repente, o lobo saiu de trás de uma moita.

- Bom dia, menina do chapeuzinho cor de abóbora.
- Bom dia, senhor.
- O que você esta trazendo nessa cesta?
- Uma torta de abóbora com cobertura de chantili e uma cereja em cima.
- Para mim?
- Não. E nem para mim, infelizmente. Estou levando essas coisas para a minha avó, que vive lá no meio da floresta.
 Então o lobo pensou: “Estou com tanta fome que podia comer essa menina como tira gosto, sua avó como prato principal e a torta como sobremesa.” Mas ele não podia comer Chapeuzinho ali, pois algum caçador podia ouvir os gritos.

Foi quando o lobo teve uma idéia e disse:
- Esta vendo aquela trilha? Ela também vai até a casa da sua avó. É um pouco mais comprida, mas esta cheia de jabuticabeiras, macieiras, pereiras, figueiras, bananeiras, abacateiros, ameixeiras e mangueiras. Por que você não vai por ali?

- Que apetitosa idéia, senhor, vou fazer isso mesmo.
Assim, Chapeuzinho pegou o outro caminho e foi catando frutas pela trilha. Enquanto isso, o lobo foi pelo caminho maios curto até a casa da avó.
Quando chegou, bateu na porta:

- Pou, pou, pou.
- Quem bate? - perguntou a velhinha.
- Sou eu, sua netinha. Falou o lobo imitando a voz da Chapeuzinho (ele era bom em imitar vozes). – Vim trazer uma torta para a senhora.

A Vovó levantou bem contente e abriu a porta, mas então o lobo pulou sobre ela e engoliu a pobre velhinha de uma vez, Nhoc!

Depois disso, ele deu um tremendo arroto, uorc!, vestiu as roupas da Vovó e deitou-se na cama para esperar Chapeuzinho.

Quando a menina chegou  à casa da avó e bateu na porta, o lobo falou lá de dentro, imitando a voz da velhinha ( eu já disse que ele era bom nisso?):
- Quem bate?
- Sou eu, vovó, Chapeuzinho cor de abóbora.
- Pode entrar, minha querida, eu não via a hora de você chegar!
Chapeuzinho abriu a porta e foi até a cama da avó. O lobo estava embaixo das cobertas e usando a touca da velhinha, de modo que não se podia ver  sua cara direito. A menina então perguntou:

- Vovó, por que você tem orelhas tão grandes?
- São para escutar  quando o leiteiro passa.
- E esses olhos tão grandes?
- São para ver os bolos crescerem.
- E essas mãos tão grandes?
- São para segurar melancias e jacas.
- E esse nariz tão grande?
- É para sentir o cheiro do pão quentinho.
- E essa boca tão grande?
- Essa é para te comer mesmo! – gritou o lobo. E, dizendo isso, saltou sobre a menina e  a engoliu de uma só vez. Nhoc!

Depois, o lobo voltou para casa e foi tirar uma sonequinha. Mas como estava com a barriga muito cheia, começou a roncar bem alto. Tão alto que um caçador escutou aquele barulho e resolveu dar uma olhada.
Quando abriu a porta e viu o lobo dormindo com as roupas da Vovó, o caçador ficou de boca aberta!
Então ele colocou balas em sua espingarda, apontou para o lobo e... e não fez nada.
Não fez nada porque pensou que a Vovó  ainda poderia estar viva dentro da barriga do lobo.

Ai ele pegou uma grande tesoura e, quando estava quase começando a cortar a barriga do lobo, o lobo acordou e... nhoc!, engoliu o caçador de uma só vez.

O pior é que, depois de comer o caçador, o lobo disse:
- O caçador era muito salgado. Isso me deu uma vontade de comer um docinho. Já sei. Posso comer a torta que a menina trouxe para a avó.

Então ele comeu a torta de abóbora com cobertura de chantili. E, quando viu que tinha esquecido de comer a cereja, pensou: “Acho que ainda cabe alguma coisinha...”

Ai o lobo pegou a cereja e comeu. Mas ele já estava com a barriga tão cheia, mas tão cheia, mas tão cheia, que... BUM! O guloso acabou explodindo e morreu.

E assim, todos ficaram em pedaços para sempre:
O caçador que ia comer o lobo.
A Vovó que iria comer a supertorta.
E a Chapeuzinho Cor de Abóbora que, se tivesse continuado viva, teria aprendido uma lição:
“ Nunca se deve comer a ultima cereijinha.”

CHAPEUZINHO VERDE

Era uma vez, numa pequena vila perto de uma verdejante floresta, uma menina olhos cor de esmeralda.

Todos gostavam muito dela, e sua avó mais ainda, tanto que lhe deu de presente uma capinha com capuz. A roupa era verde e a menina ia com ela para tudo que é lugar. Por causa disso, as pessoas começaram a chamá-la de Chapeuzinho verde.

Tudo ia calmo e tranqüilo até que um dia sua mãe disse:
- Chapeuzinho, leve essa torta de limão para a sua avó, que vive lá no meio da floresta. Ela é muito avarenta para comprar docinho e, se a gente não manda uma coisinha de vez em quando, ela vai acabar magra feito palito.
- Pode deixar, mamãe, vou levar a torta para a Vovó.

A senhora vai me dar dinheiro para o ônibus?
- Mas para lá não tem ônibus!
- Ah é, esqueci. Então me dá dinheiro para a sola de sapato?
- Nunca vi menina gostar tanto assim de dinheiro! É igualzinha à sua avó. Ta bom, pega. Mas tome muito cuidado. Não saia do caminho porque a floresta é perigosa.

Então a menina colocou a torta de limão numa cesta, deu um beijo na mãe e partiu.

No caminho, ela cantava assim:

“Pela estrada afora,
Eu vou tão mesquinha.
E pedirei mais grana
Para a vovozinha.”

Chapeuzinho entrou pela floresta e foi andando, andando, até que, de repente, o lobo saiu de trás de uma moita.

- Bom dia, menina do chapeuzinho verde.
- Bom dia, senhor.
- O que você leva nessa cesta?
- Uma torta de limão.
- Para mim?
- Só se o senhor tiver dinheiro para comprá-la.
- Não tenho nem um centavo.
- Então vou levá-la para a minha avó que vive na casa verde lá no meio da floresta.

Ai o lobo pensou: “Todo mundo fala que a velhinha da casa verde tem um monte de jóias. Acho que vou comer a avó, a menina e ainda vou roubar as jóias.”
Mas ele não podia atacar Chapeuzinho ali, no meio do caminho, pois algum caçador que estivesse por perto poderia escutar os gritos da menina.

Foi quando o lobo teve uma idéia e disse:
- Esta vendo aquela trilha? Ela também vai até a casa da sua avó. É um pouco mais comprida, mas tem uma fonte onde as pessoas jogam moedas. Por que você não vai por ali e pega umas para você?
- Que boa idéia! Vou fazer isso mesmo!

Assim, Chapeuzinho pegou o outro caminho, ficou catando moedinhas a e nem viu o tempo passar.
Enquanto isso, o lobo foi pelo caminho mais curto até a casa da avó.
Quando chegou, bateu na porta:

- Toc, toc, toc.
- Quem é? - perguntou a velhinha lá de dentro.
- Sou eu, sua netinha, vim trazer uma torta de limão para a senhora – falou o lobo disfarçando a voz.

A Vovó levantou-se, viu se seu cofre estava bem trancado ( ela achava que a neta estava de olho nas suas jóias) e abriu a porta. Quando fez isso, nem teve tempo de abrir a boca de espanto, por que o lobo pulou sobre ela e devorou-a de um só bocado. Glupt!

Depois pensou em roubar as jóias da Vovó, mas, como precisava fazer a digestão, deitou-se para esperar Chapeuzinho.

Finalmente, quando ela chegou à casa da avó, bateu na porta:
- Toc, toc, toc.
- Quem bate? - perguntou o lobo imitando a voz da Vovó.
- Sou eu, sua netinha
- Entre, minha querida, eu não via a hora de você chegar.

Chapeuzinho abriu a porta lentamente e foi ate a cama da avó. O lobo estava embaixo das cobertas e usava touca, de modo que só se podia ver um pouco da sua cara. A menina, percebendo que havia alguma coisa esquisita por ali, perguntou:
- Vovó, por que você tem orelhas tão grandes?
- Para ouvir o tilintar das moedas.
- E esses olhos tão grandes?
- São para ver os extratos no banco.
- E essas mãos tão grandes?
- São para contar o dinheiro mais rápido.
- E esse nariz tão grande?
- É para sentir o cheiro das notas.
- E essa boca tão grande?
Então o lobo parou de imitar a Vovó e falo com sua voz terrível:
- Essa é para te comer!
Depois disso, ele saltou sobre a menina e a engoliu de uma só vez. E ai foi tirar uma sonequinha.

Como estava coma barriga muito cheia, logo começou a roncar bem alto. Tão alto que um caçador escutou aquele barulho e resolveu dar uma olhada.

Quando abriu a porta viu o lobo dormindo com aquele barrigão, o caçador pensou: “Puxa vida, esse lobo é de uma raça bem rara! Se eu tirar a pele dele, poderei vendê-la e ficar rico.”

Então o caçador colocou balas em sua espingarda, apontou para o lobo e, CABUM!, matou o bicho.

Depois, quando estava abrindo sua barriga com cuidado para não estragar a pele, viu que Chapeuzinho verde e sua avó estavam lá dentro. Como não é todo dia que aparecem oportunidades de se ganhar algum dinheiro extra, o caçador disse:

- Olha, eu posso tirar vocês duas daí, mas isso vai me tomar muitas horas, então, antes de começar, eu queria saber se vocês poderiam me pagar por esse trabalho.
- Pode pegar as minhas jóias que estão no cofre – disse a Vovó.
- E eu tenho as moedinhas que apanhei pelo caminho – falo Chapeuzinho.

Então o caçador pegou as jóias, as moedinhas e tirou as duas de dentro da barriga do lobo.

E a moral dessa história é: “O dinheiro não traz felicidade e atrai um monte de malandros.”


CHAPEUZINHO BRANCO

Era uma vez, numa pequena vila perto de uma triste floresta, uma menina de olhos e cabelos bem claros.

Todos gostavam muito dela, e sua avó mais ainda, de modo que decidiu-lhe  fazer uma capinha com capuz. A roupa era de veludo branco, e a menina estava sempre com ela, fosse para brincar ou para limpar a lápide de seu pai, que havia morrido recentemente. Por conta de seu capuz, todos na vila começaram a chamá-la de Chapeuzinho Branco.

Um dia, sua mãe disse:

- Chapeuzinho, leve esses suspiros para a sua avó, que vive lá no meio da floresta. Ela está sempre sozinha, nunca ninguém vai visitá-la e isso vai fazer com que Lea se sinta melhor.

- Pode deixar, mamãe, vou levar essas coisas para a minha solitária vovozinha.

Então a menina colocou os suspiros numa cesta, deu um beijo na mãe e partiu.

No caminho ela cantava assim:
“Pela estrada afora,
Eu vou tão tristinha.
Não tenho mais pai
Sou uma orfãzinha.”

Chapeuzinho foi entrando pela floresta até que, de  repente, o lobo saiu de trás da moita.

- Bom dia, menina do chapeuzinho branco.
- Bom dia, senhor.
- O que você esta trazendo nessa cesta?
- Uns suspiros.
- Para mim?
- Não, sinto muito. Estou levando essas coisas para a minha avó, que vive lá no meio da floresta.

Então o lobo pensou: “Ah, como é dura a vida de um lobo solitário... estou tão sozinho que, só para passar o tempo, sou capaz de comer a avó dessa menina, a menina e os suspiros de sobremesa.”

Então o lobo teve uma idéia e disse:
- Está vendo aquela trilha? Também vai até a casa de sua avó. É um pouco mais comprida, mas tem um monte de crianças brincando por lá. Por que você não segue por ali?

- Que grande idéia, senhor. Vou fazer isso mesmo!

Assim, Chapeuzinho pegou o outro caminho. Só que lá não havia meninas e nem meninos. Ela olhou atrás das moitas, em cima das arvores, mas não viu ninguém. Enquanto isso, o lobo foi pelo caminho mais curto até a casa da avó. Quando chegou, bateu na porta:

- Pleuqe, pleque, pleque.
- Quem bate? – perguntou a velhinha á de dentro.
- Sou eu, sua netinha – falou o lobo disfarçando a voz – vim trazer uns suspiros para a senhora.

A Vovó então levantou-se, calçou suas polainas e abriu a porta. Quando ela viu que era o lobo e não a Chapeuzinho que estava lá, não se importou.
Ela sabia que ia ser devorada, mas vivia tão só e esquecida que achou bom ter alguma companhia, ao menos por um breve instante, porque o faminto lobo saltou sobre ela e a devorou antes que ela pudesse dizer “Seja bem vindo”.

Depois de dar um pequeno soluço, o lobo disfarçou-se de Vovó e deitou na cama para esperar Chapeuzinho.

A menina vinha bem devagar pela mata, colhendo folhas, escutando os pássaros, brincando com os esquilos, bebendo água das fontes e cantando sua música:
“Pela estrada afora,
Eu vou tão tristinha.
Não tenho mais pai
Sou uma orfãzinha.”

Finalmente, quando chegou à casa da avó, ela bateu na porta:

- Pleuqe, pleque, pleque.
- Quem bate? – perguntou o lobo imitando a velhinha.
- Vovó, sou eu, sua netinha.
- Entre minha querida, eu não via a hora de você chegar.

Chapeuzinho abriu a porta lentamente e foi até a cama da avó. O lobo estava embaixo das cobertas e usando uma touca, de modo que só se podia ver um pouco de sua cara. A menina, percebendo que havia alguma coisa esquisita no ar, perguntou:

- Por que você tem orelhas tão grandes?
- São para escutar as vozes dos amigos.
- E esses olhos tão grandes?
- São para ver as pessoas.
- E essas mãos tão grandes?
- São para abraçar as visitas.
- E esse nariz tão grande?
- É para sentir o cheiro dos outros.
- E essa boca tão grande?
- Podia ser para conversar, mas vai ser para te comer mesmo!

E dizendo isso, o lobo ficou de pé sobre a cama e preparou-se para saltar sobre a menina.

Mas, antes que fizesse isso, Chapeuzinho Branco ergueu a mão e disse:
- Quero que o senhor saiba que eu não me importo de morrer, porque sou uma menina muito triste, pois amava meu pai e ele morreu.
O lobo, que era muito emotivo, não esperava ouvir aquilo. Então sentou-se na Cama e começou a chorar.
A menina também ficou emocionada e pôs-se a soluçar. Então um caçador que estava andando pôr ali escutou aquela barrulheira e resolveu dar uma olhada.

Quando abriu a porta viu o lobo e a Chapeuzinho chorando, ele colocou balas em sua espingarda e apontou para o lobo. Mas quando ia atirar, ouviu a porca fazer um nhec.
Era a mãe de Chapeuzinho que vinha chegando. Ela e o caçador trocaram um olhar como se se conhecessem de algum lugar.
Ele abaixou a arma e perguntou:
- Minha senhora, por acaso nos seus tempos de menina, você não morava numa casinha no alto da colina?

- Sim – respondeu a mãe de Chapeuzinho Branco.
- Pois eu era seu visinho.
- Astolfo?
- Eu mesmo.
- Puxa, há quanto tempo! Como é que você me reconheceu?
- Na verdade, nunca te esqueci. Confesso que eu era apaixonado por você.
- Assim você me deixa encabulada... mas devo admitir que eu também tinha uma quedinha por você...
- Pena que os meus pais decidiram sair lá da colina...
- Pois é...
- E o que aconteceu com você?
- Eu me casei e tive essa bela menina. Mas o pai dela morreu... sabe?
- Quer dizer que você está livre, quero dizer viúva?
- Sim.

Os dois estavam no maior bate-papo quando a avó gritou lá de dentro da barriga do lobo:
- Me tirem daqui!
O caçador falou para a mãe de Chapeuzinho Braço:
- Bem, você se importa se eu tirar a Vovó de dentro da barriga do lobo antes da gente continuar a conversa?
- Não, não, vá em frente.

Ao o caçador apertou a barriga do lobo com força e Vovó saiu de lá num pulo. A desengolida velhinha, quando se viu livre, falou:
- Muito obrigada, senhor caçador. O senhor salvou minha vida.
Se bem que a minha vida é tão solitária que eu nem me importei de ter sido engolida!
- Sua vida não será mais solitária, minha senhora.
- Não? – a Vovó perguntou.
- Não – respondeu o caçador – pois eu vou pedir a mão de sua filha em casamento e, se ela aceitar, nós vamos morar todos juntos.
- Pois eu aceito! – disse a mãe de Chapeuzinho.

Ao ouvir isso, a menina falou:

- Que bom! Agora vocês tem um ao outro, Vovó tem companhia e eu tenho um pai! Mas e o lobo?
Nesse momento o lobo disse:
- Também estou cansado de ser um lobo solitário, que tal se vocês me adotassem como lobo de estimação?
E assim, todos ficaram felizes para sempre:
O caçador e a mãe de Chapeuzinho Branco porque se casaram.
A Vovó porque passou a ter companhia.
O lobo porque deixou de ser solitário.
E Chapeuzinho Branco porque aprendeu uma lição:
“Ninguém gosta de ficar sozinho”.




CHAPEUZINHO LILÁS

Era uma vez uma menina muito famosa em sua pequena vila.
Todo mundo gostava dela, e a sua avó mais ainda, tanto que lhe costurou uma capinha com capuz.  A roupa era violeta, e a menina a usava tanto que o pessoal até lhe botou um apelido: Chapeuzinho Lilás.

Um dia a mãe de Chapeuzinho lilás chamou-a e disse:
- Filha, leve essas revistas com fofocas sobre gente famosa para a sua avó, que vive á no meio da floresta.
- Tenho que ir mesmo, mamãe? – perguntou Chapeuzinho.
- Sim, tem, você não quer continuar com sua fama de ser uma menina obediente e trabalhadora?
- Quero.
- Então você tem que ir. Não é fácil manter  a boa fama.
- Ta bom, eu vou...

Então a menina colocou as revistas numa cesta, deu um beijo na mãe e partiu. No caminho ela cantava assim:

“Quero ser famosa
Bem conhecidinha.
Ai não andaria
Nunca mais sozinha.”

Chapeuzinho vinha pela floresta quando, de repente, o lobo saiu de trás de uma moita.

- Bom dia, menina do chapeuzinho lilás.
- Bom dia, senhor.
- O que você leva ai nessa cesta?
- Revistas de fofocas.
- Para mim?
- Não, para a minha avó. Ela vive lá no meio da floresta.

Então o lobo pensou assim: “Caramba, estou com tanta fome que seria capaz de comer a avó desta menina e depois ela mesma como sobremesa.”

Mas ele não podia atacar Chapeuzinho ali, pois algum caçador poderia escutar os gritos e vir em socorro da menina.
Foi quando o lobo teve uma idéia e disse:

- Esta vendo aquela trilha? Ela também vai ate a casa de sua avó. É um caminho mais longo, mas você poderia pegar uns lilases para ela.
- Que excelente idéia, senhor. Vou fazer isso mesmo!

Assim Chapeuzinho pegou o outro caminho e começou a colher lilases. Enquanto isso, o lobo foi pelo caminho mais curto até a casa da avó.
Quando chegou, bateu na porta:

- Pam, pam, pam.
- Quem bate: - perguntou a velhinha lá de dentro.
- Sou eu, sua netinha -  falou o lobo disfarçando a voz.

A Vovó então levantou-se e abriu a porta. Mas não havia ninguém lá, e a Vovó disse:
- Xi, eu devo ter imaginado que bateram na porta. Ré. Ré, estou ficando velha...

E então voltou para a cama.

Você quer saber por que o lobo não estava lá na porta? Eu explico. É que o lobo teve uma crise de consciência. Ele pensou assim: “Que coisa horrível eu vou fazer: comer essa pobre velhinha! Não, não farei isso! Está na hora de mudar as coisas!” E ai ele se escondeu atrás de uma moita.

Pouco depois Chapeuzinho chegou e bateu à porta:

- Pam, pam, pam.
- Quem bate? – perguntou a velhinha.
- Sou eu, Chapeuzinho Lilás.
- Entre, querida, a porta está aberta.

A Vovó estava embaixo das cobertas e usava uma touca tão grande que nem dava para ver a sua cara. A menina chegou perto dela devagarinho e perguntou:

- Por que você tem orelhas tão grandes?
- São para ouvir melhor o rádio.
- E esses olhos tão grandes?
- São para ver os programas de TV.
- E essas mãos tão grandes?
- São para segurar os jornais.
- E esse nariz tão grande?
- É para metê-los na vida dos outros.
- E essa boca tão grande?
- É para fazer fofocas – falou a Vovó. E dizendo isso elas começaram a rir e ler as revistas. E leram tanto que acabaram pegando no sono.


CHAPEUZINHO PRETO

Era uma vez, numa vila perto de uma floresta bem escura, uma menina de olhos e cabelos negros.

Todo mundo gostava dela, e sua avó mais ainda, tanto que decidiu lhe fazer uma capinha com capuz. A roupa era muito elegante, toda de veludo negro, e a menina andava para cima e para baixo com ela. Por conta disso, as pessoas começaram a chamá-la de Chapeuzinho Preto.

Um dia, a mãe de Chapeuzinho disse:

- Filha, leve essas jabuticabas para a sua avó, que vive lá no meio da floresta.
- Pode deixar, mamãe, eu vou e volto num minuto.
- Mas olhe, não saia do caminho porque a floresta é perigosa.
Então a menina colocou as jabuticabas numa cesta deu um beijo na mãe e partiu. No caminho, ela cantava assim:

“Pela estrada afora,
Eu vou depressinha.
Levar essas frutas
Para a vovozinha.”

Chapeuzinho entrou na floresta. A cada passo as arvores se fechavam e a mata ficava mais escura. Mas ela não sentia medo.

Assim foi até que, de repente, o lobo saiu de trás de uma moita e falou:

- Bom dia, menina do chapeuzinho preto.
- Bom dia, senhor.
- O que você está trazendo nessa cesta?
- Algumas jabuticabas.
- Para mim?
- Não, elas são para a minha avó, que vive no meio da floresta.

Naquela hora o lobo pensou: “Minha fome é interminável. Um dia, com certeza, eu comerei essa pequena.”

Então ele disse:

- Está vendo aquela trilha? Vai até a casa de sua avó. É um pouco mais comprida, mas está cheia de umas flores chamadas sempre-vivas. Por que você não vai por ali e leva algumas para ela?

- Que idéia supimpa, senhor! Vou fazer isso mesmo!

Assim, enquanto Chapeuzinho pegou o outro caminho, o lobo foi por um atalho até a casa da avó. Quando chegou lá, tocou a campainha:

- Blem, blem, blem.
- Quem bate: - perguntou a velhinha lá de dentro.
- Sou eu, sua netinha - falou o lobo disfarçando a voz – Vim trazer jabuticabas para a  senhora.

A Vovó então pôs óculos e abriu a porta. Quando viu que era o lobo e não Chapeuzinho quem estava lá falou:

- Ah, é você? Sabia que viria me buscar um dia. Entre, não repare na bagunça.

O lobo sentou-se na cama e perguntou:
- A senhora estava esperando por mim?
- Eu sabia que você ia chegar. Até que demorou bastante.
- Eu vou ter que engoli-la agora – disse o lobo.

- Eu sei – disse a Vovó fechando os olhos lentamente. E então o lobo engoliu a avó de uma só vez, tão rápido que ela nem teve tempo de dizer “adeus”.

Depois o lobo deitou-se calmamente na cama para esperar Chapeuzinho.

A menina vinha andando pela mata tão lentamente, mas tão lentamente, que nem viu o tempo passar. Finalmente quando chegou à casa de avó, tocou a campainha:

- Blem, blem, blem.
- Quem bate? – perguntou o lobo lá de dentro, com a voz rouca.
- Sou eu, sua netinha, vovó.
- Entre, querida.

Chapeuzinho abriu a porta e foi em direção à cama da avó. Mas, no caminho, passou por um espelho e viu que estava mais velha, já era mulher.

- Puxa, acho que fiquei muito tempo colhendo flores.
- Sim, você esta muito diferente – disse o lobo.

Chapeuzinho chegou mais perto do espelho e, olhando para o seu rosto, perguntou a si mesma:

- Por que eu tenho orelhas tão grandes?
E ela se respondeu:
- Ah, é porque agora já posso usar brincos.
- E esses olhos tão grandes?
- É porque agora posso ver mais coisas.
- E essas mãos tão grandes?
- É porque agora posso alcançar o que antes eu não alcançava.
- E esse nariz tão grande?
- É porque agora sou dona do meu próprio nariz.
- E essa boca tão grande?
- Acho que é porque já posso falar por mim mesma – falou Chapeuzinho.

Depois ela se virou para o lobo e perguntou:

- Onde está minha avó?
- Eu a engoli – respondeu ele.
- E quem é você?
- Sou o lobo dos lobos. As pessoas me chamam de Tempo.
- Você também vai me engolir?
- Vou, mas não agora. Vamos comer essas jabuticabas?

Então eles comeram bastante e tiraram uma sonequinha. Como estavam com a barriga cheia, começaram a roncar alto, mas tão alto que um caçador que estava andando por ali escutou o barulho e resolveu dar uma olhada.

Quando abriu a porta, o caçador viu o lobo, colocou balas em sua espingarda e atirou. Mas errou todos os tiros.
Então o caçador exclamou:
- Lobo maldito! Não consigo vencê-lo!
- Isso é impossível, caro caçador, mas nos podemos ser amigos. - Como, se um dia você vai me engolir?
- Ora, vamos ser amigos enquanto esse dia não chega.
E dizendo isso, o lobo pegou as duas jabuticabas que sobraram, deu uma para o caçador, outra para Chapeuzinho, e saiu pela janela dizendo:

- Até breve.

E, assim, todos ficaram felizes:
O caçador porque reconheceu que não podia vencer o lobo.
A Vovó porque teve uma vida feliz e demorou para ser engolida.
E Chapeuzinho Preto porque aprendeu uma lição:
Devemos comer as jabuticabas bem devagar e aproveitar cada uma.”






7 comentários:

  1. Adorei encontrar o seu blog já me ajudou bastante ,passei a tarde procurando esse livro das chapeuzinhos coloridos e só encontrei aqui,´parabéns pela iniciativa e garanto que estarei constantemente por aqui.

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  2. Respostas
    1. Olá Machado.

      Correta sua colocação, não havia percebido.
      Estarei corrigindo brevemente.
      Abraços.

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  3. Que riqueza de blog, estou encantada, parabéns e obrigada por essa coletanea virtual. Luciana

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  4. Adorei essas historias minha professora de leitura já leu esse livro sao muito legais

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